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domingo, 14 de setembro de 2014

Feira da Batucada

Apresentações e oficinas culturais evidenciam o batuque afro-brasileiro como forte ritmo musical durante XI Feira da Música.

Por Cássia Alves e Talita Cavalcante
Agregar e fortalecer os atores da cadeia produtiva da música no Brasil, proporcionando destaque às produções nacionais, esse é o objetivo da Feira da Música, que teve sua 11ª edição realizada de 22 a 25 de agosto, no Centro Cultural Dragão do Mar, SESC Iracema e Estoril, em Fortaleza (CE).
Considerado um dos maiores festivais do Estado, a Feira da Música, promovida pela Associação dos Produtores de Cultura do Estado do Ceará (Prodisc) em parceria com a Universidade Fora do Eixo, se destacou mais uma vez no cenário de eventos musicais que marcam a cidade de Fortaleza. Além disso, o evento parece ter dado um fôlego a mais no descaso pelo qual a gestão cultural do Ceará vem passando, principalmente por ter sido realizado no Centro Dragão do Mar, espaço que foi declarado à falência pela falta de eventos culturais que estavam sendo promovidos no local.
Diferente de outros festivais, essa edição provou que não é só de pop que vive o homem, os tambores também marcaram presença durante o evento. O encontro apresentou uma diversidade de ritmos, entre o rock, reggae, eletrônico e instrumental, mas parece que as grandes atrações ficaram por conta da contagiante batucada, onde bandas regionais tiveram oportunidade de demonstrar seus talentos através de apresentações artísticas que contagiaram o público durante os três dias.
Movimento afro-brasileiro
Originado da cultura africana, o batuque é caracterizado por sem um conjunto de sons com forte percussão e é assimilado à cultura brasileira por diversos meios. O movimento, que teve origem angolana e congolense (Angola e Congo), é também chamado de batucada e pode ser facilmente reconhecido por proporcionar um som diferente do habitual.
Durante o último dia do evento, diversos grupos afro-brasileiros deram um show no palco da Feira, entre eles as bandas de percussão Tambores de Caboco e Ibadâ. Com o ritmo frenético dos tambores, os grupos se uniram para reverenciar a cultura afro.
As meninas do Tambores de Safo também fazem parte dessa manifestação diferenciada. O grupo, além de ser reconhecida pelo seu talento, é causador de polêmica por atuar através de intervenções político-culturais, levantando a bandeira contra homofobia, violência à mulher e racismo.
No mesmo batuque também se apresentou o Likute, grupo formado por quatro mulheres de diferentes regiões de Moçambique. Se apropriando do estilo “Afrofusion”, que seria a fusão da música contemporânea com os tradicionais ritmos africanos, assim criando um estilo musical híbrido, a Likute se utiliza de máscaras, danças, poesias e outros instrumentos da cultura afro-brasileira como hudo, batuques e xigovia.
Mas toda essa batucada não se restringiu somente ao som dos tambores africanos. O baterista Paulo Henrique Barcellos (23), também conhecido por PH, mostrou que o som dos tambores também está presente no ruído de instrumentos eletrônicos.
Paulo Henrique, que é professor no Instituto Bateras Beat Fortaleza, fundador do projeto Jazz aos 20, e membro da Le Disco Band é, também, um dos integrantes que compõe a Banda Zero85, que se apresentou no evento. Ele ressalta sua satisfação em ter participado da Feira e diz que o importante é saber tocar de tudo, pois na música se aprende construindo e, logo em seguida, desconstruindo. O músico afirma ainda que ritmo é uma questão de identidade: “A música define as características das pessoas, cada um se identifica com o ritmo que o define. Às vezes essa identificação pode rolar não apenas com um, mas com vários, e daí surge uma mistura de sons”, explica.
Sustentabilidade
Além de talentos musicais, outros profissionais passaram pela Feira da Música, chamando atenção para os interessados em aprender um pouco sobre como se constroem os instrumentos musicais, através de oficinas realizadas no próprio local.
As oficinas abordaram, em geral, o universo do maracatu cearense, que incorporam em sua origem o ritmo e tambores da África. Crianças com deficiência tiveram oportunidade de aprender sobre a construção desses instrumentos e colocaram a mão na massa, onde puderam desfrutar do fazer artístico e musical.
A sustentabilidade foi outro viés abordado durante a Feira da Música 2012. Os participantes conheceram também sobre como construir instrumentos feitos a partir de sucatas, onde o objetivo era desenvolver o hábito do reaproveitamento de materiais que teriam como destino o lixo. O estudante Anisio Cavalcante (18), participou da oficina e diz que pretende estender o que aprendeu durante a experiência. “Acredito que seja muito válido esse tipo de iniciativa, é uma forma de despertar o interesse das pessoas pela nossa cultura. Pretendo acompanhar mais de perto esse trabalho”, afirma.
O grupo Tambatuque do Vidança é outro que adota essa ideia. Formado por crianças e adolescentes da comunidade Vila Velha do bairro Barra do Ceará, é um grupo de percussão que surgiu através da necessidade de incluir as comunidades dentro da arte. Além de aprender a tocar, os jovens aprendem a fazer os instrumentos, tornando-se profissionais da carpintaria. A jornalista Rafaela Lisboa (21), assistiu as apresentações e expõe sua admiração pelo grupo. “O Vidança tem um jeito diferente de interagir com o público, dá vontade de participar de tudo que eles fazem”, destaca.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A PASSAGEM DO TEMPO, OS BRINQUEDOS DE HOJE E ANTIGAMENTE

Por Ana Cássia Alves e Paulo Évora

Quem nunca teve boneca de pano, bambolê ou casinha de boneca? Quem nunca brincou de pião, bila ou pelada na rua? A nova geração está a cada dia se distanciando das brincadeiras de infância que hoje são chamadas de tradicionais e o dia dia das crianças das crianças da atualidade não parece nada com os de 10, 20 ou 30 anos atrás, as crianças não parecem mais as mesmas.

No centro da cidade de Fortaleza (Ce) no cruzamento das ruas Conde d’ Eu com TV. Crato, próximo da Catedral Metropolitana (Igreja da Sé) ainda se encontra piões, bruxinhas de pano, caminhões de lata, bola de gude, casinhas e moveis pras bonecas feitas de madeira e loucinhas de barro. Além desses brinquedos existe uma serie de outros que podem ser fabricados com matéria que não está mais em uso, meias-calças que viram bolas de futebol, garrafa pet que se transformam em foguete, carros ou o “vai e vem”.

A dona de casa Lucia Felipe de 37 anos tem uma filha, Heloisa Almeida de 8 anos, fala que a menina interage bem com os dois momentos, ela tem celular e brinquedos eletrônicos, como laptop, mas não deixa de lado a brincadeira com as amigas e agora resolveu aprender soltar pião, influenciada pelo pai.

Com essa nova era dos brinquedos modernos, as brincadeiras e joguetes nas ruas ou até mesmo os jogos artesanais caíram em esquecimento. O vigilante Oscidan Fernandes de 48 anos, lembra alguns momentos da infância, “A gente não tinha muito dinheiro, e os brinquedos eram poucos, então pulávamos corda, pega-pega, amarelinha” conta que criava muitos brinquedos de lata.

Essa memória popular adulta não se perpetua nas crianças, mas existem alguns lugares que ainda se encontra brinquedos artesanais. O esquecimento dessa memória através das novas gerações trás uma série de prejuízo pra continuidade desses objetos. O comércio e consumo eletrônico da tecnologia já chegou a infãncia e isso é observado com o aumento das vendas desses produtos em períodos como as datas comemorativas.

Quem nunca teve boneca de pano, bambolê ou casinha de boneca? Quem nunca brincou de pião, bila ou pelada na rua? A nova geração está a cada dia se distanciando das brincadeiras de infância que hoje são chamadas de tradicionais e o dia dia das crianças das crianças da atualidade não parece nada com os de 10, 20 ou 30 anos atrás, as crianças não parecem mais as mesmas.

No centro da cidade de Fortaleza (Ce) no cruzamento das ruas Conde d’ Eu com TV. Crato, próximo da Catedral Metropolitana (Igreja da Sé) ainda se encontra piões, bruxinhas de pano, caminhões de lata, bola de gude, casinhas e moveis pras bonecas feitas de madeira e loucinhas de barro. Além desses brinquedos existe uma serie de outros que podem ser fabricados com matéria que não está mais em uso, meias-calças que viram bolas de futebol, garrafa pet que se transformam em foguete, carros ou o “vai e vem”.

A dona de casa Lucia Felipe de 37 anos tem uma filha, Heloisa Almeida de 8 anos, fala que a menina interage bem com os dois momentos, ela tem celular e brinquedos eletrônicos, como laptop, mas não deixa de lado a brincadeira com as amigas e agora resolveu aprender soltar pião, influenciada pelo pai.

Com essa nova era dos brinquedos modernos, as brincadeiras e joguetes nas ruas ou até mesmo os jogos artesanais caíram em esquecimento. O vigilante Oscidan Fernandes de 48 anos, lembra alguns momentos da infância, “A gente não tinha muito dinheiro, e os brinquedos eram poucos, então pulávamos corda, pega-pega, amarelinha” conta que criava muitos brinquedos de lata.

Essa memória popular adulta não se perpetua nas crianças, mas existem alguns lugares que ainda se encontra brinquedos artesanais. O esquecimento dessa memória através das novas gerações trás uma série de prejuízo pra continuidade desses objetos. O comércio e consumo eletrônico da tecnologia já chegou a infãncia e isso é observado com o aumento das vendas desses produtos em períodos como as datas comemorativas.

quinta-feira, 14 de março de 2013

R E T R A T O


A fotopintura e suas transformações, arte modificada pelas novas tecnologias alcança publico internacional através das obras do mestre Júlio.

Capa do Livro: Júlio Santos, mestre da Fotopintura.

Uma fotopintura dos pais falecidos, a lembrança da mãe e a dedicação que ela tinha com as fotografias na infância dos filhos, o momento mais importante para um jovem casal feito a mão e o mestre que deixa  pra trás as tintas, cavaletes, e tela de pintura por outra tela, agora a do computador. Do saudosismo para o mundo, o retrato pintado ainda vive, modifica-se e se adapta às novas tecnologias.

Mestre da Cultura Popular, Júlio Francisco dos Santos, 68 anos, é fotopintor com aproximadamente 56 anos de experiência. Iniciou a profissão muito jovem, deixou para trás os estudos no mosteiro beneditino em Pernambuco e escolheu trabalhar junto com o pai e seu amigo Antenor Medeiros, que, segundo Júlio, foi o maior retocador que conheceu na vida. 

O ateliê montado na casa da vó foi o começo da carreira promissora do fotopintor, mas ele conta que teve dificuldade na hora da escolha. “Você deixa de ser um monge beneditino pra trabalhar com fotopintura, você tem que dar uma resposta pro seu pai, você tem que dar tudo pra ser o melhor”, lembra.

Aos 15 anos de idade, Julio já dominava todas as etapas do processo: reproduzir, contornar, ampliar, retocar, afinar, fazer roupa. Ele explica que esse processo de “linha de produção” era a forma que as pessoas trabalhavam.

O tempo passou modificando os métodos do retrato pintado. Antes se tinha um ateliê e ajudantes, aos quais se ensinava a técnica da fotopintura. As ferramentas necessárias para desenvolver o trabalho como pincéis, espátulas, tintas e telas sofreu alterações, substituídos por um computador, outra tela e um programa de edição. 

Ele fala que teve receio: “eu resistia por uma questão de saudosismo natural, toda mudança traz um problema”. Além da questão social, já que antes se passava as técnicas do trabalho para os jovens e assim dava-se continuidade ao processo, os ‘novos profissionais’ que desconhecem a técnica tendem a descaracterizar o processo de criação. Ele fala com certo de desgosto , “são pessoas que montam, cortam um retrato, põe um palito, me perdoe a fraqueza, mas sem muita proporção”, e com isso surge o problema que ele tanto temia, “a descaracterização do trabalho, você tá fazendo hoje fotomontagem”.


 Exemplo|

No interior do estado a fotopintura faz parte da característica do sertanejo, dentre varias imagens, entre fotos dos filhos e imagens sacras está sempre presente a foto dos pátriarcas da família.

“Olhar pra foto deles me traz muita saudade”. A aposentada Luzelite da Cunha, 56, fala emocionada ao olhar para o retrato dos pais. “A mamãe até que parece com a foto original, mas papai não”. A foto original a qual a senhora se refere é uma fotografia preta e branca danificada; a ‘fotopintura’ foi feita recentemente. “Passou um rapaz na minha casa oferendo o serviço e eu aceitei na hora, o quadro que tinha na casa da minha mãe lá no interior foi levado por um dos meus irmãos quando ela faleceu, a lembrança que pude ficar foi essa fotinha gasta”.

Um dos principais motivos de ter aceitado fazer o serviço também foi o baixo preço cobrado. “Não ficou tão boa, mas o importante é o sentimento”, justifica.


Rejeição|

Lucia Maria Ferreira, zeladora da Escola Liceu do Ceará, de 53 anos, lembra da mãe arrumando-a para as fotografias. Quando perguntada se ainda possui alguma, ela confirma balançando a cabeça, mas explica que desconhece seu paradeiro: “eu me mudei acho que ficou na outra casa, eu já tinha esquecido dessa foto.”

“Quando eu era criança, minha mãe mandou fazer uma fotopintura, não só minha, mas dos meus irmãos também, aquilo era importante pra ela”, relembra

“Como não tinha foto colorida naquele tempo, ela sempre que dava fazia uma pintura.” Ao ser questionada se tem vontade de fazer uma fotopintada dela com os filhos, e a resposta é rápida: “Eu até que gostaria, mas não posso. Minhas filhas não gostam, elas não deixam sequer eu por as fotos delas de quando eram crianças na parede quanto mais uma fotopintura”.

Existe uma rejeição dos que desconhe-cem a tradição popular da fotopintura. Júlio fala que o problema é a falta de cultura da própria população.  “Dentro do estado eu não tenho reconhecimento. Se você tivesse sem o endereço, você não encontraria, as pessoas não me conhecem”.

A menção honrosa de mestre da cultura veio depois de muitas tentativas. “Pra você ter uma ideia eu tentei varias vezes ser mestre da cultura e em alguns momentos eu não cheguei a ficar se quer entre os reclassificáveis”.


Tradição|

O fotografo Tiago Santana é parceiro de trabalho, amigo e cliente do retratista Julio Santos. “Eu fiquei apaixonado pelo trabalho dele”, diz. Tanta paixão que os convites de casamento foi um retrato feito por Júlio.

“Na época eu ia me casar e queria que o convite fosse uma homenagem ao trabalho dele, então o convite fechado era duas fotos emolduradas separadamente e quando você abria o convite tinha os dois juntos em uma moldura só”.

Com uma voz animada o fotógrafo faz uma comparação entre a sua fotopintada e de tantos outros sertanejos: “Até hoje eu tenho na minha casa, assim como em milhares de lugares você vai ver nas casas que tem o retrato pintado”.

O retrato pintado se popularizou no interior por substituir as fotografias tiradas em estúdios. De uma simples foto 3X4 se criava uma imagem que representava o sujeito. “É o desejo de se mostrar da forma mais bonita“, resume o fotógrafo.

“Ela se popularizou no interior porque as pessoas não tinham como pagar um fotógrafo profissional”, justiça o fato de as paredes das casas no interior serem encobertas por retratos pintados. “Eu acho interessante, a ‘fotografia’ passa pela sensibilidade do Júlio, de criar o desenho das pessoas para o papel, de interpretar o que querem e usar sua arte pra deixar as pessoas felizes”.

Apesar de ainda existir desvalorização das obras dele, existem públicos fiéis, “por mais que hoje pareça coisa de gente cult, o pessoal de São Paulo fica louco né? Mas ele nasceu do popular”, explica Tiago. E são as famílias do interior que continuam com os costumes e tradições de ter uma fotopintada.

“Até hoje eu trabalho com os galegos (homens que oferecem o serviço porta a porta), eu não tenho acesso ao consumidor final”, Júlio explica o processo deixando claro que o trabalho produzido é passado diretamente para os revendedores.

Reconhecimento|

“Hoje eles são mais que irmãos pra mim”, assim o mestre explica a importância dos amigos Tiago Santana, Cristiane Parente e Luis Santos no reconhecimento da sua arte pelo Brasil e o mundo. “A Cristiane Parente ressuscitou a classe, foi ela que me apresentou pro mundo”. Cristiane é socióloga e sua tese foi sobre retratopintado.

Tiago Santana tambem trabalhou no filme ‘Retrato Pintado’ de Joe Pimentel. Com o filme, Tiago conta que as obras do retratista tiveram mais exposições “O Júlio tava meio esquecido, não tinha muita visibilidade e o filme deu uma visibilidade muito grande”. E em parceria com o tambem fotógrafo Luis Santos criou a exposição ‘Fotopintura Contemporânea’, que em 2010 foi para a China, no Festival Internacional Pingyao Photography.Além dos trabalhos que estavam sendo desenvolvidos, foi publicado um livro Júlio Santos, mestre da Fotopintada”, que possui ilustrações e conta sua historia de vida.

Nos meses de setembro e outubro, as obras do artista estavam em exposição na Pinacoteca de São Paulo. E em dezembro parte para a Europa. “Em dezembro agora, eu tô indo pra Espanha levar essa exposição pra lá”, fala animado Júlio.

A fotopintura que parecia ter um fim anunciado se reiventou, “Eu acho que vai continuar viva por muito tempo ainda, vai se transformar como está se transformando no trabalho do Júlio, nesse sentido ele tem o desejo muito grande de dar continuidade com oficinas e uma escola de fotopintura”, explica Santana.

Tanto que apesar das transformações e mudanças, das novas tecnologias estarem em evidência, parece que a fotopintura não vai desaparecer, Julio não ver ameaça nelas e fala que fotografia é fotografia da mesma maneira, apenas modifica o equipamento.

O fotógrafo olha a fotografia de outra maneira, “Hoje as fotos são tão fáceis de captar, mas tambem tem uma facilidade muito grande de cair no esquecimento, de se perder” e fala que o diferencial do trabalho do Júlio é o resgate da memória.

Não somente um momento para se guardar, mas um ritual, do momento que se faz a fotografia, a explicação que se dá, os detalhes, a escolha do palito, e o desejo de ficar mais bonito, juntando tudo isso à delicadeza e sensibilidade de um homem que entende o sonho do seu modelo. “Eu vivo pro meu trabalho”, conclui o mestre.

Serviço|

Áureo Estúdio
 Rua Gonçalves Ledo – 1779 Fortaleza (CE)
Telefone: 3067-5570

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Situações de casas em áreas de risco

Moradores reclamam do descaso com as moradias no Alto Santa Rita


Fotografia: Anne Ellen Saraiva.
Na localidade  Alto Santa Rita, em Redenção-CE  podemos encontrar várias casas em situações de risco, por conta das chuvas os moradores tiveram que se deslocar de suas casas para uma nova localização cedida pela prefeitura, o projeto conhecido como (Pro-urbe) que teve inicio no mandato do antigo prefeito Dr. João Silva Lima Neto.


Segundo a  atual prefeita de Redenção  Cimar, o projeto conseguiu retirar do local em um dado estatístico aproximado  mais de 200 famílias , de modo que as mesmas vendem as casas cedidas pela prefeitura  e voltam a antiga residência. Afirmam também  estarem  elaborando um novo projeto de retirada das casas, mas ainda não confirmado.  A dificuldade seria encontrar um  local para construção de novas moradias, um terreno teria sido  avaliado, mas a compra não foi efetuada , pelo alto custo apresentado.

Moradores da localidade afirmam sofrer com as fortes chuvas, alagando as casas, exposição a varias doenças que são consequência dos alagamentos, e deslizamentos de pedras, segundo a moradora Vera Lucia Marques Sousa, a defesa civil teria ido ao local para avaliar as situações das casas, dando um prazo até dezembro de 2011 para retirar as famílias do local. ’’ A defesa civil veio e fez o cadastro para quando fosse uma  emergência ligasse para eles. Depois ouvimos boatos que não iriam mais doar as casas, mas o material para a construção de casas de tijolo no local’’ relata  a moradora.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A MULHER NA CULTURA DA IMAGEM


As mudanças na sociedade através dos meios de comunicação


Quem dita às leis, costumes, gostos, o que vestir e como se comportar é a sociedade, esse conjunto de pessoas que compartilham ideias diferentes, mas vivem no senso comum, possuem os mesmos propósitos e preocupações, interagindo entre si e formando uma comunidade.

No livro Corpo e Comunicação: sintoma da cultura (2008) da Professora e Pós- Doutora pela Universidade de Indian, Lucia Santaella, que atualmente estuda temas relacionados à Comunicação, Semiótica Cognitiva e Computacional, Estéticas Tecnológicas e Filosofia e Metodologia da Ciência, se observa a influência das meios de comunicação como agente direto no comportamento da sociedade.

A atuação da mídia pela publicidade mostra um grande efeito na sociedade, a maneira que imaginamos, agimos, vestimos, o nosso corpo é reflexo dessas influência. A tecnologia vem para solucionar problemas, mas também prejudica. A expressão “tecnohumanas” trata da evolução humana através das tecnologias. A mídia difunde e capitaliza o que é belo, cultuando o corpo e tornando isso como tendência comportamental. “Tais mudanças no corpo apontam para formas de existência pós –humanas”, (p.  99). Tanto na TV como no impresso é utilizada a opinião de especialistas profissionais que tratam de assuntos diversos entre massagem, cirurgias plásticas, sexualidade e reeducação alimentar que dão a receita certa para alcançar a forma perfeita.

Existe um desejo enraizado na sociedade de ser apreciado, visto e aceito, “... nas mídias, aquilo que dá suporte às ilusões do eu são, sobretudo, as imagens do corpo retificado, fetichizado, modelizado como ideal a ser atingido em consonância com o cumprimento da promessa de uma felicidade sem máculas.” (p. 125/126) e essa felicidade que atrai e leva mulheres e homens a estabelecer metas para alcançar a imagem perfeita, leva a modelação do corpo, tornando-o “forte, belo, jovem, veloz, preciso, perfeito”.

O livro nos leva a vários questionamentos e mostra um futuro sombrio, que nós levam a pensar onde vamos parar  e o que seremos no futuro, “homens”, “maquinas” ou “tecnohumanos”?


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Eu visto acima de 44, e daí?!


Das cirurgias plásticas aos modelos plus size, a relação das mulheres com seus corpos.

Karlla Queiroz, dona do blog Doces Curvas e modelo plus zise.Foto: Divulgação.

Qual mulher nunca ficou incomodada ou olhou possessa desejando o corpo daquela capa de revista? A imagem que é reproduzida tanto na TV, outdoor e nos meios impressos mostra como é o ideal de beleza: corpos magros, barrigas chapadas, volumes exacerbados de peitos e bundas. Na sua maioria, as mulheres não possuem esse modelo, mas se torna um desejo quase involuntário quando existe toda uma exploração do que é “bonito” e “saudável”.

Conversando com 12 mulheres entre 23 e 37 anos que não estão enquadradas no padrão de beleza exigido atualmente, observamos o quanto pode ser pejorativo esses conceitos. Quando se pergunta pela satisfação pelo corpo, a resposta vem de diferentes formas.

Não estou satisfeita com o meu corpo. Sou outra pessoa dentro de um corpo que não é meu”, diz a estudante de design L.C., de 26 anos. Já Tatiana Muniz, de 25 anos, estudante de publicidade, fala que está satisfeita: “Claro que não me acho a mulher mais bonita do mundo, ou pense que não preciso mudar ou melhorar nada. Eu melhoraria sim... Tenho vontade de mudar meu corpo, emagrecer um pouco... Mas isso é um desejo não prioritário na minha vida”.

Existem os casos em que os familiares e pessoas próximas acabam cobrando a aparência perfeita. A radialista L.M, de 28 anos, confessa: “Estou acima do peso e com os comentários das pessoas acabo ficando insatisfeita com o meu corpo”.

Quando o assunto é profissional ainda se nota o preconceito. A estudante de administração e professora de inglês, Mara Rosália, 24 anos, diz que embora satisfeita com o corpo, ela sente dificuldades na hora comprar roupas e já se sentiu discriminada, pois perdeu oportunidades de trabalho por conta do excesso de peso. “Não consegui emprego em recepção de hotel por conta de aparência física, e olha que eu sou graduada e falo inglês”, relata.

A aparência ainda é ponto principal na hora de analisar um candidato. “Na escola de idiomas, também não peguei uma turma vip (que ganha mais) com uns executivos chiques, pois não tinha o ‘perfil’, oras! Que perfil?”, enfatiza a professora, que revela a “coincidência” da professora escolhida ter sido justamente a mais bonita da escola.

Aparência física parece ser coisa ultrapassada em dias que se levantam bandeiras que apoiam igualdade social, mas quando se trata de coisa simples como se vestir as entrevistadas sentem dificuldade. “Não me sinto contemplada quando chego em lojas e não consigo encontrar o tamanho 44. O ruim desse padrão de beleza super magro é que tudo que está fora disso acaba nas margens. Isso se reflete até nas lojas que vendem roupas. Elas querem atingir um público que veste 38, 40. E nós que não estamos nessas medidas?”, questiona T. L., de 23 anos.

Plus Size
Hoje já existe um diferencial na moda, as modelos “Plus Size”, termo norte-americano para manequim acima de 44. Está nova inclusão no mercado acalma o ponto de vista de algumas mulheres. O mercado da moda deixou cair em esquecimento modelos de roupas para tamanhos G, GG e XG, mas isso está mudando mesmo que lentamente. A cada dia se observa o crescimento e inclusão desses modelos maiores.

 “Esse ícone de beleza implantada pelas revistas está perdendo seu conceito porque atualmente temos revistas que falam das modelos Plu Size, que estão conquistando mercado”, diz L.S, de 26 anos.

 A blogueira de moda Talita Cavalcante fala que “de uns tempos pra cá, o padrão de modelo magra e alta felizmente tem mudado”. A dona do blog ZIPETTI observa a amplitude dessas mudanças: “O mercado brasileiro de moda, hoje, procura agradar a todos os públicos, afinal todo mundo é consumidor, principalmente quando o assunto é roupa.”

As lojas especializadas estão em crescimento, e as lojas de departamento acompanhando esse ritmo. “Podemos encontrar roupas para modelos GG”, acrescenta Talita.

Hoje se procura outro profissional no mercado da moda, mulheres que vestem o numero acima de 44 e que se assumem como tal. O concurso de beleza Miss Plus Size Nordeste, proporciona novas descobertas na moda “plus”, e cria um novo quadro nas agências de modelo. O gerente da agência New Face, Ton Silveira, explica que esse mercado está se abrindo agora. “Em Fortaleza não existem modelos especializados nessa área, é algo escasso ainda”. Silveira revela ainda que “as modelos gordinhas têm muita vergonha, conheço uma top que engordou pra alcançar esse mercado”. As modelos desse segmento, segundo Ton, ganham bem mais que as modelos do perfil tradicional.

A analista de mídias sociais, blogueira e modelo Plus Size Karlla Queiroz, 21 anos, fala que o mercado da moda nessa área está em expansão e cresce a cada dia mais, mas afirma: “no Sudeste e no Sul, é onde fica a maior concentração de lojas plus size do Brasil” e que em Fortaleza a espaço para mais lojas. “Em Fortaleza está em crescimento, já temos algumas lojas boas, mas não em quantidade suficiente”, diz Karlla, que acrescenta que o cachê vai depender muito do tipo de trabalho: “Se a pessoa for conceituada como meninas que já tem nome como Fluvia Lacerda, Renata Poskuz, Mayara Russi, o cachê é bem gordinho. Mas se for uma modelo que ainda não tenha tido muitos trabalhos, é um cachê parecido com trabalhos comuns de modelo”.

“Eu via revistas de moda, e queria ser como aquelas meninas de capa de revista, mas não queria mudar meu estilo, nem meu corpo”, explica a analista de mídias sociais ao falar de como surgiu à ideia para a criação do blog Doces Curvas.

Intervenções cirúrgicas
Apesar desse novo olhar para as gordinhas, muitas mulheres acreditam que somente por um procedimento mais radical vão alcançar o corpo ideal. A estudante Isabele Pedrosa, de 26 anos, optou pela cirurgia de redução de estômago (cirurgia bariátrica ou gastroplástia). O método utilizado pela graduando de Design para o procedimento cirúrgico foi “Bypass Gástrico sem anel e via laparoscopia, que oferece perda de peso entre 35 e 40% do peso inicial”. Ela ainda conta que “desde criança fui gordinha e nunca me aceitei, então decidi pela estética”.

Nessa técnica, o estômago é grampeado para reduzir a capacidade de armazenamento, junto a isto é feito um desvio do intestino com cerca de dois metros – o tamanho normal do intestino é de sete metros. O intestino desviado é ligado ao novo estômago. Essa técnica pode acarretar problemas futuros, pois gera uma má absorção dos alimentos, tornando o paciente dependente de medicamentos. Segundo Isabele, “são vitaminas que devem ser tomadas pro resto da vida para o bom funcionamento do organismo”.

Mas todo o esforço e cuidado parece valer a pena. A estudante, que após seis meses da cirurgia já eliminou 28 kg, está empolgada e diz “faltam 16 kg, que nas minhas contas, em quatro meses eu mando embora” e afirma, “passaria pela cirurgia 10 mil vezes, se fosse preciso”.

 “Já tive três filhos e acho que uma cirurgia, como abdominoplastia e implante de silicones, iam melhorar e muito a minha aparência física”, afirma a servidora pública Marta Cunha, de 37 anos. Ela ainda relata que na adolescência o problema era outro.  “Quando eu era mais jovem, eu me sentia excluída do grupo, mas ao contrário do que a mídia pede, eu era discriminada por ser muito magra”. E afirma, “apesar das exigências de beleza do mundo Fashion, eu queria era agradar os jovens da minha idade: ter perna grossa, bumbum, peito...”.

Se existe um ideal ou padrão de beleza, muitas mulheres têm ideias diferentes ao explicar qual esse padrão. A quem ache que é ser magra, outras cheia de curvas e as que estão satisfeitas ou em busca do “corpo ideal”. Mas de modo geral, elas reconhecem a mídia como a grande influenciadora e devem agir com inteligência na hora de fazer as escolhas, pensar se realmente as roupas, o corte de cabelo, regimes e procedimentos cirúrgicos é a coisa mais certa a ser feita.









sexta-feira, 11 de maio de 2012

CANDIDATAS DE SALTO E MAQUILAGEM


O “Top Model O reality” chega a Fortaleza

Gravações do programa.  
Nos dias 9 e 10 de maio, aconteceu em Fortaleza a edição do “Top Model - O Reality”, do programa “Tudo é Possível”, da TV Record, onde foi escolhida quatro candidatas para participar da etapa final em São Paulo. O concurso vai escolher uma nova assistente de palco da apresentadora Ana Hickmann.

Cerca de 130 garotas, entre 18 a 25 anos, estiveram por lá, em um dia daqueles, repleto de sol e muito calor. Maquiadas e de salto alto, elas estavam prontas pra mostrar o seu melhor. Mas, muitas também não se enquadravam no perfil exigido: magras, acima de 1,70, com quadril e busto inferior a 95 cm. As mães que acompanhavam as candidatas foram comunicadas de como seria a seleção e não receberam a informação com muita alegria, mas apesar das exigências, muitas continuaram por lá, mães e filhas. Mães tentavam vender seu “peixe” pra todos que se aproximavam com o crachá escrito, “produção”, falava o quanto sua filha era linda, simpática e muitas vezes desdenhando de outras candidatas.

E embora o cansaço e reclamação do sol forte, as moças pareciam dispostas, pois assim que percebiam uma câmera surgiam varias poses, sozinhas, em grupo e com a apresentadora Ticiane Pinheiro, que comandou a maratona de tirar medida e desfiles.  Dá primeira fase foram escolhidas 16 candidatas.

O segundo dia de eliminatória aconteceu no parque aquático Beach Park, onde houve a segunda etapa de desfiles e ensaios fotográficos. Conversando aleatoriamente com algumas dessas candidatas, muitas optaram por não comer para a barriga não ficar saliente. Percebi o quanto aquilo era importante pra elas, a realização do sonho de ser reconhecida.
Quatro finalistas do Nordeste vão para São Paulo com todas as despesas pagas, viver na casa da apresentadora.

terça-feira, 10 de abril de 2012

UMA REFORMA E OS MESMOS PROBLEMAS


A popular Praça dos Leões passou por algumas reformas mais ainda apresenta os mesmos problemas, falta de segurança e limpeza.

Caminhando pelo Centro de Fortaleza coisas belas passam muitas vezes despercebidas, um prédio histórico, uma praça que homenageia um herói de guerra, ou até mesmo uma mulher imóvel sentada no banco. Mas uma coisa é clara, muitos que passam pela Praça General Tibúrcio, conhecida popularmente como Praça dos Leões, reclamam da falta de segurança e o mau cheiro do local.
Situada entre as ruas Sena Madureira, General Bezerril, São Paulo e Guilherme Rocha, a praça surgiu com a construção da Igreja Nossa Senhora do Rosário, foi urbanizada e inaugurada no ano de 1856. Após a morte do General Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa, combatente na guerra do Paraguai em 1886, foi lhe feito uma homenagem com uma estátua e o nome da praça. Além da estátua do general, estão ali leões trazidos de Paris e o belíssimo homenagem feito a saudosa escritora Raquel de Queiroz.
Em torno da praça estão o Museu do Ceará, antiga Assembleia Municipal, a Academia Cearense de Letras, antigo Palácio da Luz, e a igreja da Nossa Senhora do Rosário, formando assim um conjunto arquitetônico histórico. A funcionária pública Lucia Marques, de 46 anos, conta: “Essa parte do Centro é muito bonita, as pessoas não sabem da história da sua própria cidade, é uma pena”. E conta com tristeza que há muito tempo não visita o museu “Não visito o museu do Ceará faz tempo, a ultima vez foi com os meus filhos quando pequenos”.
O aposentado Sebastião Filipe 78 anos, hoje mora em Aracati e se lembra de alguns acontecimentos na praça, “Aqui já aconteceu de tudo, de mendigo mijando na frente de todo mundo e assaltos. Hoje eu só passo aqui nas pressas, não dá pra sentar na praça e admirar, aqui fede e tenho medo de ser assaltado, passar aqui só correndo mesmo”.
A área passou por reforma ano passado com o projeto “Tudo de cor para Fortaleza”, parceria realizada pela Prefeitura, Governo do Estado e Tintas Hidracor mais já mostra sinais de vandalismo e mau cheiro. A prefeitura disponibilizou banheiro químico, guardas municipais e câmera de vigilância no local, mas que não adiantaram muito, já que a praça retorna ao estado de calamidade. A estudante de História e colaboradora do Museu do Ceará Ana Carolina Rodrigues, 26 anos, nos conta “A reforma que ocorreu ano passado foi algo muito superficial e consequentemente não será duradouro”, em relação a segurança ela confirma “Como trabalho ao lado, sei que há Guardas Municipais durante o dia, à noite não me atrevo a tirar a dúvida” e denuncia o mal uso do espaço “as pessoas jogam lixo, e utilizam o mausoléu do General Tibúrcio (Escultura do centro da praça) para mictório”.
A pintura nos prédios históricos deu vida a praça deixando-a mais charmosa, mas com sol e chuva a tinta logo vai sair. O Museu do Ceará está fazendo a manutenção do prédio, e os demais prédios falam em se unir e montar uma associação para limpeza e manutenção das suas fachadas. Uma coisa tem que se deixar claro, “O que deveria ser feito era uma modificação do pensamento sobre a utilização do espaço público, pois um pensamento não se esvai com a chuva e o sol, ele permanece e modifica pra melhor as coisas físicas e materiais”, disse Ana Carolina Rodrigues.
A sujeira exposta, lixo e dejetos humanos são frutos da má utilização do espaço publico, problemas causados pela falta de educação patrimonial e desrespeito com o bem publico, é necessária uma reeducação da sociedade para sanar problemas como esse.






Exercício feito para a disciplina de Redação para Meios Impressos.