segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre a VIDA...

Cheguei a um momento da minha vida que começo a questionar algumas coisas. Por que eu tenho que ser o centro de mim mesmo? Por que o mundo tem que girar em torno das minhas vontades, necessidades e caprichos? 

A reinvenção do ser é algo delicado e demorado, requer tempo paciência e dedicação. Já me reinventei uma vez, achando que esse novo “eu” seria mais feliz. Engano meu! Esse “eu” que agora sou, ainda busca preencher o vazio desse peito. 

Sempre que penso nisso lembro-me de mamãe. Ela diz, “esse vazio é a falta de Deus!”. Não acho que ela esteja errada, mas não acho que encontrarei Deus ao modo dela. Acredito que Ele deseja de mim muito mais que ir a missa aos domingos, oferecer o dízimo ou sair pregando o Seu nome para as pessoas de casa. Não acho que ela esteja errada em fazer isso, ao seu modo, isso também é ir de encontro ao Pai. 

Mas então como será meu encontro com Deus? Comigo mesma? Como irei preencher esse vazio no meu coração? 

Acho que tudo já foi elaborado e planejado. Mesmo sem saber o dia, local, hora e como será, sei que tenho que refazer minha história, voltar aos caminhos já percorridos e mais uma vez reinventar o meu “eu”. 

sábado, 5 de julho de 2014

Uma primeira Experiência Experimental

Por Daniel Araújo

Fazer um filme em duas semanas sem contar sequer com os equipamentos da faculdade? Isso mesmo. Essa foi a missão que tivemos ainda no segundo semestre do curso de Jornalismo. A disciplina era de Audiovisual e, pelo o que recordo, a professora apesar de já ter tido algumas experiências na área, não nos cobrou muito. Mas o pessoal até que se empolgou com a proposta. E eu fui uma dessas pessoas.

De início, foi um pouco complicado pensar em realização à época. O Movie Maker já existia, mas estávamos falando de vivências um pouco mais expansivas. O lance parecia um pouco mais complexo. A turma era composta por incrível 70 alunos. E numa sala com tanta gente, o vídeo a ser feito tinha de agradar. Mas decidi partir de uma ideia simples mesmo. E assim, minha proposta de filme foi sendo modelada.

Inicialmente não cheguei a escrever um roteiro. Tudo estava na minha cabeça e o que eu precisava era de um mínimo de apoio. Assim, apresentei minha proposta a outros três colegas, sendo que dois deles não eram da minha faculdade e o filme foi tomando corpo. Na ideia, gravaríamos um vídeo em plano sequência onde alguém viria correndo de um ponto a outro da Avenida Beira Mar. A corrida dessa pessoa seria realizada de acordo com o ritmo de uma canção que colocaríamos posteriormente no filme durante o processo de montagem. A música em questão foi “Hanging by a moment” da banda Lifehouse.

Chegado o dia da gravação, eu e os demais colegas nos dirigimos à orla de Fortaleza. Eu estava como proponente do projeto, mas optamos também por que ficasse encarregado de ser a pessoa que executaria a corrida e fazer a captação dela. E aí que entra a questão da fotografia no filme. Onde em boa parte da perspectiva da câmera vê apenas os pés do personagem que corre. A sensação do espectador é a de que se estivéssemos correndo junto com o personagem.

E após a captação e o processo de montagem o resultado foi positivo. Era meu primeiro curta metragem experimental feito a partir de uma ideia originalmente pensada. Pena não ter conseguido mostra-lo à época aos colegas da turma. Devido ao grande número de alunos, a professora não conseguiu organizar o calendário a tempo e as exibições acabaram não ocorrendo. Mas o curta ficou. Realizado em menos de uma semana com uma cibershot, quatro cabeças pensantes, e vejam só, com recursos também do Movie Maker.


quinta-feira, 6 de março de 2014

A PASSAGEM DO TEMPO, OS BRINQUEDOS DE HOJE E ANTIGAMENTE

Por Ana Cássia Alves e Paulo Évora

Quem nunca teve boneca de pano, bambolê ou casinha de boneca? Quem nunca brincou de pião, bila ou pelada na rua? A nova geração está a cada dia se distanciando das brincadeiras de infância que hoje são chamadas de tradicionais e o dia dia das crianças das crianças da atualidade não parece nada com os de 10, 20 ou 30 anos atrás, as crianças não parecem mais as mesmas.

No centro da cidade de Fortaleza (Ce) no cruzamento das ruas Conde d’ Eu com TV. Crato, próximo da Catedral Metropolitana (Igreja da Sé) ainda se encontra piões, bruxinhas de pano, caminhões de lata, bola de gude, casinhas e moveis pras bonecas feitas de madeira e loucinhas de barro. Além desses brinquedos existe uma serie de outros que podem ser fabricados com matéria que não está mais em uso, meias-calças que viram bolas de futebol, garrafa pet que se transformam em foguete, carros ou o “vai e vem”.

A dona de casa Lucia Felipe de 37 anos tem uma filha, Heloisa Almeida de 8 anos, fala que a menina interage bem com os dois momentos, ela tem celular e brinquedos eletrônicos, como laptop, mas não deixa de lado a brincadeira com as amigas e agora resolveu aprender soltar pião, influenciada pelo pai.

Com essa nova era dos brinquedos modernos, as brincadeiras e joguetes nas ruas ou até mesmo os jogos artesanais caíram em esquecimento. O vigilante Oscidan Fernandes de 48 anos, lembra alguns momentos da infância, “A gente não tinha muito dinheiro, e os brinquedos eram poucos, então pulávamos corda, pega-pega, amarelinha” conta que criava muitos brinquedos de lata.

Essa memória popular adulta não se perpetua nas crianças, mas existem alguns lugares que ainda se encontra brinquedos artesanais. O esquecimento dessa memória através das novas gerações trás uma série de prejuízo pra continuidade desses objetos. O comércio e consumo eletrônico da tecnologia já chegou a infãncia e isso é observado com o aumento das vendas desses produtos em períodos como as datas comemorativas.

Quem nunca teve boneca de pano, bambolê ou casinha de boneca? Quem nunca brincou de pião, bila ou pelada na rua? A nova geração está a cada dia se distanciando das brincadeiras de infância que hoje são chamadas de tradicionais e o dia dia das crianças das crianças da atualidade não parece nada com os de 10, 20 ou 30 anos atrás, as crianças não parecem mais as mesmas.

No centro da cidade de Fortaleza (Ce) no cruzamento das ruas Conde d’ Eu com TV. Crato, próximo da Catedral Metropolitana (Igreja da Sé) ainda se encontra piões, bruxinhas de pano, caminhões de lata, bola de gude, casinhas e moveis pras bonecas feitas de madeira e loucinhas de barro. Além desses brinquedos existe uma serie de outros que podem ser fabricados com matéria que não está mais em uso, meias-calças que viram bolas de futebol, garrafa pet que se transformam em foguete, carros ou o “vai e vem”.

A dona de casa Lucia Felipe de 37 anos tem uma filha, Heloisa Almeida de 8 anos, fala que a menina interage bem com os dois momentos, ela tem celular e brinquedos eletrônicos, como laptop, mas não deixa de lado a brincadeira com as amigas e agora resolveu aprender soltar pião, influenciada pelo pai.

Com essa nova era dos brinquedos modernos, as brincadeiras e joguetes nas ruas ou até mesmo os jogos artesanais caíram em esquecimento. O vigilante Oscidan Fernandes de 48 anos, lembra alguns momentos da infância, “A gente não tinha muito dinheiro, e os brinquedos eram poucos, então pulávamos corda, pega-pega, amarelinha” conta que criava muitos brinquedos de lata.

Essa memória popular adulta não se perpetua nas crianças, mas existem alguns lugares que ainda se encontra brinquedos artesanais. O esquecimento dessa memória através das novas gerações trás uma série de prejuízo pra continuidade desses objetos. O comércio e consumo eletrônico da tecnologia já chegou a infãncia e isso é observado com o aumento das vendas desses produtos em períodos como as datas comemorativas.

sábado, 30 de março de 2013

Curta Doc: RETRATO

RETRARO,  curtas-metragem do gênero documentário, destinado a trazer a tona pessoas da cultura urbana ou do campo do Ceará. Nosso primeiro convidado para a experiência foi o mestre da cultura popular e fotopintor, Júlio Santos. 

Espero que gostem!



Curta-metragem Documentário: RETRATO
Direção: Daniel Silva
Roteiro: Ana Cássia Alves
Montagem: Ana Cássia Alves e Daniel Silva
Edição: Ana de Sousa
Professor responsável: Naiana Rodrigues

quinta-feira, 14 de março de 2013

R E T R A T O


A fotopintura e suas transformações, arte modificada pelas novas tecnologias alcança publico internacional através das obras do mestre Júlio.

Capa do Livro: Júlio Santos, mestre da Fotopintura.

Uma fotopintura dos pais falecidos, a lembrança da mãe e a dedicação que ela tinha com as fotografias na infância dos filhos, o momento mais importante para um jovem casal feito a mão e o mestre que deixa  pra trás as tintas, cavaletes, e tela de pintura por outra tela, agora a do computador. Do saudosismo para o mundo, o retrato pintado ainda vive, modifica-se e se adapta às novas tecnologias.

Mestre da Cultura Popular, Júlio Francisco dos Santos, 68 anos, é fotopintor com aproximadamente 56 anos de experiência. Iniciou a profissão muito jovem, deixou para trás os estudos no mosteiro beneditino em Pernambuco e escolheu trabalhar junto com o pai e seu amigo Antenor Medeiros, que, segundo Júlio, foi o maior retocador que conheceu na vida. 

O ateliê montado na casa da vó foi o começo da carreira promissora do fotopintor, mas ele conta que teve dificuldade na hora da escolha. “Você deixa de ser um monge beneditino pra trabalhar com fotopintura, você tem que dar uma resposta pro seu pai, você tem que dar tudo pra ser o melhor”, lembra.

Aos 15 anos de idade, Julio já dominava todas as etapas do processo: reproduzir, contornar, ampliar, retocar, afinar, fazer roupa. Ele explica que esse processo de “linha de produção” era a forma que as pessoas trabalhavam.

O tempo passou modificando os métodos do retrato pintado. Antes se tinha um ateliê e ajudantes, aos quais se ensinava a técnica da fotopintura. As ferramentas necessárias para desenvolver o trabalho como pincéis, espátulas, tintas e telas sofreu alterações, substituídos por um computador, outra tela e um programa de edição. 

Ele fala que teve receio: “eu resistia por uma questão de saudosismo natural, toda mudança traz um problema”. Além da questão social, já que antes se passava as técnicas do trabalho para os jovens e assim dava-se continuidade ao processo, os ‘novos profissionais’ que desconhecem a técnica tendem a descaracterizar o processo de criação. Ele fala com certo de desgosto , “são pessoas que montam, cortam um retrato, põe um palito, me perdoe a fraqueza, mas sem muita proporção”, e com isso surge o problema que ele tanto temia, “a descaracterização do trabalho, você tá fazendo hoje fotomontagem”.


 Exemplo|

No interior do estado a fotopintura faz parte da característica do sertanejo, dentre varias imagens, entre fotos dos filhos e imagens sacras está sempre presente a foto dos pátriarcas da família.

“Olhar pra foto deles me traz muita saudade”. A aposentada Luzelite da Cunha, 56, fala emocionada ao olhar para o retrato dos pais. “A mamãe até que parece com a foto original, mas papai não”. A foto original a qual a senhora se refere é uma fotografia preta e branca danificada; a ‘fotopintura’ foi feita recentemente. “Passou um rapaz na minha casa oferendo o serviço e eu aceitei na hora, o quadro que tinha na casa da minha mãe lá no interior foi levado por um dos meus irmãos quando ela faleceu, a lembrança que pude ficar foi essa fotinha gasta”.

Um dos principais motivos de ter aceitado fazer o serviço também foi o baixo preço cobrado. “Não ficou tão boa, mas o importante é o sentimento”, justifica.


Rejeição|

Lucia Maria Ferreira, zeladora da Escola Liceu do Ceará, de 53 anos, lembra da mãe arrumando-a para as fotografias. Quando perguntada se ainda possui alguma, ela confirma balançando a cabeça, mas explica que desconhece seu paradeiro: “eu me mudei acho que ficou na outra casa, eu já tinha esquecido dessa foto.”

“Quando eu era criança, minha mãe mandou fazer uma fotopintura, não só minha, mas dos meus irmãos também, aquilo era importante pra ela”, relembra

“Como não tinha foto colorida naquele tempo, ela sempre que dava fazia uma pintura.” Ao ser questionada se tem vontade de fazer uma fotopintada dela com os filhos, e a resposta é rápida: “Eu até que gostaria, mas não posso. Minhas filhas não gostam, elas não deixam sequer eu por as fotos delas de quando eram crianças na parede quanto mais uma fotopintura”.

Existe uma rejeição dos que desconhe-cem a tradição popular da fotopintura. Júlio fala que o problema é a falta de cultura da própria população.  “Dentro do estado eu não tenho reconhecimento. Se você tivesse sem o endereço, você não encontraria, as pessoas não me conhecem”.

A menção honrosa de mestre da cultura veio depois de muitas tentativas. “Pra você ter uma ideia eu tentei varias vezes ser mestre da cultura e em alguns momentos eu não cheguei a ficar se quer entre os reclassificáveis”.


Tradição|

O fotografo Tiago Santana é parceiro de trabalho, amigo e cliente do retratista Julio Santos. “Eu fiquei apaixonado pelo trabalho dele”, diz. Tanta paixão que os convites de casamento foi um retrato feito por Júlio.

“Na época eu ia me casar e queria que o convite fosse uma homenagem ao trabalho dele, então o convite fechado era duas fotos emolduradas separadamente e quando você abria o convite tinha os dois juntos em uma moldura só”.

Com uma voz animada o fotógrafo faz uma comparação entre a sua fotopintada e de tantos outros sertanejos: “Até hoje eu tenho na minha casa, assim como em milhares de lugares você vai ver nas casas que tem o retrato pintado”.

O retrato pintado se popularizou no interior por substituir as fotografias tiradas em estúdios. De uma simples foto 3X4 se criava uma imagem que representava o sujeito. “É o desejo de se mostrar da forma mais bonita“, resume o fotógrafo.

“Ela se popularizou no interior porque as pessoas não tinham como pagar um fotógrafo profissional”, justiça o fato de as paredes das casas no interior serem encobertas por retratos pintados. “Eu acho interessante, a ‘fotografia’ passa pela sensibilidade do Júlio, de criar o desenho das pessoas para o papel, de interpretar o que querem e usar sua arte pra deixar as pessoas felizes”.

Apesar de ainda existir desvalorização das obras dele, existem públicos fiéis, “por mais que hoje pareça coisa de gente cult, o pessoal de São Paulo fica louco né? Mas ele nasceu do popular”, explica Tiago. E são as famílias do interior que continuam com os costumes e tradições de ter uma fotopintada.

“Até hoje eu trabalho com os galegos (homens que oferecem o serviço porta a porta), eu não tenho acesso ao consumidor final”, Júlio explica o processo deixando claro que o trabalho produzido é passado diretamente para os revendedores.

Reconhecimento|

“Hoje eles são mais que irmãos pra mim”, assim o mestre explica a importância dos amigos Tiago Santana, Cristiane Parente e Luis Santos no reconhecimento da sua arte pelo Brasil e o mundo. “A Cristiane Parente ressuscitou a classe, foi ela que me apresentou pro mundo”. Cristiane é socióloga e sua tese foi sobre retratopintado.

Tiago Santana tambem trabalhou no filme ‘Retrato Pintado’ de Joe Pimentel. Com o filme, Tiago conta que as obras do retratista tiveram mais exposições “O Júlio tava meio esquecido, não tinha muita visibilidade e o filme deu uma visibilidade muito grande”. E em parceria com o tambem fotógrafo Luis Santos criou a exposição ‘Fotopintura Contemporânea’, que em 2010 foi para a China, no Festival Internacional Pingyao Photography.Além dos trabalhos que estavam sendo desenvolvidos, foi publicado um livro “Júlio Santos, mestre da Fotopintada”, que possui ilustrações e conta sua historia de vida.

Nos meses de setembro e outubro, as obras do artista estavam em exposição na Pinacoteca de São Paulo. E em dezembro parte para a Europa. “Em dezembro agora, eu tô indo pra Espanha levar essa exposição pra lá”, fala animado Júlio.

A fotopintura que parecia ter um fim anunciado se reiventou, “Eu acho que vai continuar viva por muito tempo ainda, vai se transformar como está se transformando no trabalho do Júlio, nesse sentido ele tem o desejo muito grande de dar continuidade com oficinas e uma escola de fotopintura”, explica Santana.

Tanto que apesar das transformações e mudanças, das novas tecnologias estarem em evidência, parece que a fotopintura não vai desaparecer, Julio não ver ameaça nelas e fala que fotografia é fotografia da mesma maneira, apenas modifica o equipamento.

O fotógrafo olha a fotografia de outra maneira, “Hoje as fotos são tão fáceis de captar, mas tambem tem uma facilidade muito grande de cair no esquecimento, de se perder” e fala que o diferencial do trabalho do Júlio é o resgate da memória.

Não somente um momento para se guardar, mas um ritual, do momento que se faz a fotografia, a explicação que se dá, os detalhes, a escolha do palito, e o desejo de ficar mais bonito, juntando tudo isso à delicadeza e sensibilidade de um homem que entende o sonho do seu modelo. “Eu vivo pro meu trabalho”, conclui o mestre.

Serviço|

Áureo Estúdio
 Rua Gonçalves Ledo – 1779 Fortaleza (CE)
Telefone: 3067-5570